Publicidade
Publicidade
Edição de 30-07-2010
Pesquisa

Arquivo: Edição de 02-01-2009

Opinião

foto
Cravo & Ferradura

Vem aí uma Caixa de Pandora

Faço votos para que em 2009, no meio de tanto joio, possa haver trigo do qual nos possamos orgulhar.

É inevitável. Está aí um novo ano. Por mais que não o queiramos encetar ou vivê-lo, não temos outro remédio. Dizem que será um ano complicado, um ano de muitos males e interrogações. Não é de espantar, a crise está aí e provavelmente não se irá embora tão depressa quanto desejaríamos. Mas, tal e qual uma Caixa de Pandora, deveremos acreditar que em cada dia haverá sempre uma réstia de esperança.

Não tomem este intróito como uma lamechice demagoga ou um discurso de uma qualquer pregação evangélica (ou outra). É quase um dado adquirido: 2009 vai ser um ano tramado (e possivelmente também os seguintes) mas temos de acreditar que melhores dias virão.

Ora agora roubas tu, ora agora roubo eu

Claro que é difícil acreditarmos no que quer que seja quando bancos privados vão à falência e os seus gestores se auto-vangloriam dos seus méritos no dia a seguir; ou que os deputados da Nação afinal não passam de vulgares absentistas, picando o ponto mas logo de seguida pirando-se para os seus destinos. E ainda dizem que não há bons empregos...

É claro que todos ficamos escandalizados e assustados quando um grupo de encapuçados irrompe num restaurante, com jantares natalícios a decorrerem, e sacam de alguns trocos. É o perigo dos maus exemplos que vêm de cima: quando as hierarquias superiores deste país acham que podem agir impunes, cometendo toda a espécie de crimes de colarinho branco, porque é que a população, em geral – e os delinquentes, em particular – não poderá tentar-se pela via mais fácil do delito e da falcatrua? Aliás, em tempo de vacas magras até é mais compreensível que se roube para comer do que se roube para sustentar faustos e luxos, que muitas das vezes são pagos por nós, contribuintes.

Toda a atenção é pouca

Ok, desabafei. Por isso não se fique a pensar que advogo, estimulo ou desculpo os crimes do dia-a-dia. Esses, que se passam mesmo ao nosso lado, são mais assustadores pois põem a nu a nossa fragilidade física e psicológica mas, por muito que custe admitir, os crimes que envolvem milhões e milhões são aqueles que directamente colocam a nossa economia em causa, roubando o nosso bolso por meio de formas bem mais subtis. Se para os comuns meliantes temos de ter os nossos sentidos sempre alerta, para os outros, aqueles que se movimentam em esferas mais elevadas, também teremos de estar atentos e fazer eco de um força enorme e que por vezes é esquecida: a voz da opinião pública, que com a comunicação social e as novas tecnologias cada vez chega a mais gente e a faz mover mais depressa e eficazmente.

Separar o trigo do joio

Pronto, lá volto eu ao início da minha crónica para dizer que 2009 pode não augurar muita coisa boa mas isso não é motivo para não se acreditar que até poderá trazer algumas coisas boas. É como uma árvore bonita que praticamente só deu fruta podre e de má qualidade mas, aqui e ali, presenteou-nos como belos e saborosos frutos.

Faço votos para que em 2009, no meio de tanto joio, possa haver trigo do qual nos possamos orgulhar.

Bom Ano Novo e até à minha próxima crónica.

Por: Bruno Cunha


Faça o seu comentário

Diga o que pensa sobre este texto. O seu comentário será publicado online após aprovação da redacção.

GosteiConcordo
Comentários
NomeEmail
Código de VerificaçãoInsira os algarismos da figura
 
Publicidade
Armazéns Europa
© 2007 Semanário Transmontano | Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital. Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.