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Edição de 03-09-2010
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Arquivo: Edição de 19-12-2008

Ensino

Acção foi interposta por lista excluída

Providências cautelares pedem anulação das eleições da AAUTAD

O processo eleitoral da Associação Académica da UTAD foi muito contestado e pouco pacífico
O processo eleitoral da Associação Académica da UTAD foi muito contestado e pouco pacífico
As eleições para os órgãos sociais da Associação Académica da UTAD decorreram na passada segunda-feira, mas ainda não se sabe se o resultado será válido. Isto porque a lista A, que foi excluída do escrutínio eleitoral por “falta de documentação”, entregou no tribunal de Vila Real duas providências cautelares, por considerar que existiram duas ilegalidades “muito graves” em todo o processo.

Tudo menos pacífico. Foi assim que decorreu todo o processo eleitoral da Associação Académica da UTAD. Tudo começou com a entrega das listas candidatas. A Comissão eleitoral, presidida por Gonçalo Marques, optou por não aceitar a Lista A, por “falta de documentação necessária”, ficando apenas a lista T aprovada para ir a escrutínio eleitoral.

A lista T, encabeçada por Luís de Matos, actual vice-presidente para a área financeira, é considerada como uma lista de continuidade à actual direcção.

Já a lista A era encabeçada por Francisco Fortes, sendo também constituída com membros da direcção, um vice-presidente, da escola de enfermagem.

No entanto, o candidato de enfermagem foi excluído da lista, porque segundo a comissão eleitoral, na altura em que foi aprovado o processo eleitoral, a escola de enfermagem ainda não fazia parte da UTAD. A decisão da comissão eleitoral excluir da votação os alunos de enfermagem foi tomada a 5 de Dezembro e os novos estatutos da UTAD, que integram a escola de enfermagem na universidade transmontana, foram publicados em Diário da República no dia 9.

Para além disso, a comissão eleitoral optou por considerar que os alunos que integram o segundo ciclo, conforme alteração do processo de Bolonha, poderiam votar, o que é contradito pelos estatutos da AAUTAD, que dizem que apenas os alunos de formação inicial é que podem fazer parte do processo eleitoral. No entanto, a comissão eleitoral alega que, como o processo de Bolonha só termina em 2010, até lá, e havendo ainda cursos na UTAD que funcionam no antigo regime, poderiam votar.

A lista A quis convocar uma assembleia extraordinária de alunos, porque considerava que apenas alterando os estatutos é que os alunos do segundo ciclo poderiam votar, mas a comissão eleitoral, apoiada por parecer técnico, não considerou esta alteração necessária e rejeitou o pedido de reunião geral.

Perante estas divergências de opinião, a Lista A pediu a impugnação das eleições, considerando que o processo estava ferido de ilegalidade, mas, mais uma vez, a comissão eleitoral, indeferiu este pedido. Desta feita, o facto é que as eleições decorreram na passada segunda-feira, com apenas a lista T a ir a votos, tendo Luís de Matos sido eleito com 85 por cento dos votos. Mas a Lista A não desistiu dos seus intentos e, também na segunda-feira, apresentou ao tribunal de Vila Real duas providências cautelares, para que o processo eleitoral seja anulado e repetido. Uma providência diz respeito à proibição dos alunos de enfermagem votarem e outra tem a ver com a participação dos alunos do segundo ciclo.

Neste braço de ferro, o presidente a lista excluída, acredita que a mesma está a ser injustiçada e refere que o presidente da comissão eleitoral foi tudo menos isento neste processo, até porque “o seu nome e a sua fotografia constam da lista de apoiantes publicada pela Lista T”.

Já Gonçalo Marques, em comunicado, referiu que “existem faltas de respeito pela sua pessoa e também pelos órgãos que representa, assim como, alterações da realidade, omissões de factos e diversas difamações que decorreram durante este processo eleitoral”.

Aguarda-se agora a decisão do Tribunal de Vila Real, quanto à validação das providências cautelares apresentadas pela lista A.

Alunos de enfermagem manifestaram-se

Perante a proibição de integrarem as listas candidatas ou de poderem votar nas eleições para os órgãos sociais da AAUTAD, cerca de uma centena de alunos concentraram-se na passada segunda-feira, ao final da tarde, em frente à sede da Associação Académica, para reclamarem o direito ao voto.

Os alunos de enfermagem dizem que pagam as propinas, pagam as cotas de associados da AAUTAD e que o cartão de estudante diz “Escola Superior de Enfermagem da UTAD”. Portanto, consideram “ilegal” que tenham sido impedidos de votar. Recorde-se que a escola de enfermagem foi integrada na UTAD em 2004.

A comissão eleitoral mostrou-se “solidária” para com a posição dos alunos, mas diz que “nada pôde fazer” porque a publicação dos novos estatutos, que dizem que a Escola de Enfermagem é uma “unidade orgânica da UTAD”, saíram quando o processo eleitoral já ia a meio.

Por: Sónia Domingues


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