Arquivo: Edição de 14-11-2008
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Cravo & Ferradura Sorte ou Azar?Em miúdo lembro-me muitas vezes dos jogos de poker que fazia em casa. Era uma actividade aprovada pelos meus pais, com a condição de apenas jogarmos com dinheiro do jogo Monopólio. Apesar das notas (falsas), as apostas eram altas mas descontraídas, fazendo daquela brincadeira mais uma recriação dos filmes de cowboys do que outra coisa qualquer. Depois cresci. E a inevitabilidade desse facto colocou-me na natural situação de querer experimentar a realidade crua das coisas, apesar de estas se apresentarem sob uma capa de fascínio. Assim, lembro-me bem que a 1ª vez que entrei num casino tinha 17 ou 18 anos. Joguei nas slot machines mas as campainhas não tilintarem. Saí de lá com menos uns cobres, tendo ganho apenas a vontade de nem tão cedo pôr os pés num espaço de jogo.
Uma grande jogada
Quase 30 anos depois voltei a entrar num casino, mais concretamente no Casino de Chaves. Afinal era (e com certeza ainda é) uma das grandes atracções da cidade e eu tinha de a conhecer. Não tendo em conta que a minha mulher vingou a minha 1ª ida a um casino, ganhando uns trocos numa máquina, posso considerar o Casino de Chaves como um pólo de atracção de pessoas e divisas, por um lado, e de criação de postos de trabalho, tanto directos como indirectos, por outro. Pelo que me foi dito, uma das grandes vantagens deste casino está relacionada com o facto de ser o único num raio de muitos quilómetros, podendo estender a sua influência a todo o interior Norte e Centro de Portugal, abrangendo as áreas de Ourense e de Lugo, na Galiza, atraindo também gente de Castilla-León. Aliás, a sua localização, a poucos quilómetros de Espanha e quase à beira da A24, reflecte bem este seu posicionamento estratégico, podendo ser mais um elemento impulsionador da anunciada Eurocidade Chaves-Verín. Mas passemos agora à ferradura...
O reverso da moeda
Acredito que, pelo facto de o casino ser novidade, senti que à noite Chaves parecia ter menos gente nas suas ruas e no seu centro. Não sei se a restauração e os cafés tiveram uma quebra nos seus negócios, mas este tipo de estruturas comerciais – os casinos – podem ter um peso tal que desequilibre os planos de um desenvolvimento sustentável. Em princípio acredito que aquilo que o Casino de Chaves proporciona não interfere com as ofertas que a cidade disponibiliza, podendo as suas actividades serem complementares. Talvez quem realmente tenha ficado a perder foi alguma da vida nocturna da cidade e arredores mas digo isto de uma forma algo especulativa pois não faço a mínima ideia qual é o nível de animação da diversão nocturna e se ela se ressentiu com a abertura do casino. Mas porque sei que o dinheiro não chega para tudo, adivinho que no Verão de 2008 houve mais copos por encher mas, ao contrário, muitas slot machines bem recheadas.
Ameaças e oportunidades
Provavelmente, ao invés de um casino, acredito que se tivesse aberto um shopping center nas imediações da cidade tudo seria mais complicado, principalmente para o comércio e para a restauração. Mas fica aqui o aviso: é bom que se preparem para um impacto desse tipo pois o mais provável é que um dia destes a cidade possa vir a ter uma zona comercial desse tipo. Não sou bruxo nem adivinho, não tenho contactos com nenhuma espécie de promotor comercial ou imobiliário, nem com nenhuma autarquia ou partido político, mas é certo e sabido que os centros comerciais estão a chegar a todo o lado, um pouco por todo o país. Chaves não é excepção. Possa a cidade aprontar-se para as suas ameaças mas também para as boas oportunidades – também as há – que este tipo de empreendimentos podem trazer à região. Até breve, com ou sem roleta! Por:
Bruno Cunha |
