Arquivo: Edição de 17-10-2008
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Cravo & Ferradura Foi você que pediu uma Eurocidade?Muito de nós temos a percepção de que as cidades estendem a sua área de influência para lá das suas fronteiras físicas. Tal é fácil de se notar nas decisões que se tomam nelas, estendendo--se por toda a zona que abrangem, que muitas vezes pode ser um país inteiro (como, por exemplo, as decisões políticas que se tomam em Lisboa e que depois são aplicadas em todo o território nacional). Não é uma crítica, é apenas uma constatação. Obviamente que a influência das cidades não se resume aos seus aspectos políticos e económicos mas também se estende pela rede social, pela cultura e costumes locais, etc. Todo este paleio introdutório serve apenas para eu puxar a brasa à minha sardinha, que é como quem diz, como poderá uma cidade como Chaves potenciar ainda mais a sua abrangência? Antes de mais, desenganem-se de uma coisa: não irei brandir nenhuma bandeira bairrista ou divisionista. Passo, então, a explicar o meu ponto de vista.
Desenvolver sim, dividir não
Chaves não é capital de distrito, logo poderá não beneficiar de uma maior influência política (leia-se lóbi ou lobby, como quiserem) junto do poder central. Digamos que é uma cidade que se encontra na 3ª posição na tabela das cidades transmontanas, atrás de Vila Real e de Bragança. Mas, essa mesma posição, não deverá ser nenhum obstáculo a que a cidade se possa impor de uma outra forma, sem ter que – lá está – agitar nenhuma conspiração local. Foi com agrado que, há uns poucos de anos, se começou a falar da constituição de uma dita Eurocidade, que englobaria as áreas de Chaves e Verín, procurando construir um eixo de influência político, económico, e até social, que pudesse ir de Vila Real a Ourense. Não parece nada descabido e até pode proporcionar uma solução de equilíbrio pois tanto um certo interior galego como uma parte de Trás-os-Montes se poderiam desenvolver a um ritmo que rivalizasse com o do Litoral Norte. Quando se cria um pólo de desenvolvimento frequentemente pensa-se antes em competir com o vizinho do lado, muitas vezes imitando-o apenas, não se optando por soluções diferenciadoras, que, muitas vezes, estão nas próprias terras, naquilo de único que elas podem oferecer e/ou produzir. E, outra coisa muito importante, o resultado do desenvolvimento não pode traduzir-se numa casa com piscina e ter um Ferrari ou um Porsche na garagem, para depois nos pavonearmos com eles.
O desenvolvimento não só uma roleta
Retomando o meu raciocínio, é altamente aliciante para toda esta região uma Eurocidade (ou o que lhe queiramos chamar) capaz de ser um motor político, económico e cultural, que neste momento beneficia de boas redes de comunicação e até de uma pólo de atracção, que, com todos os seus defeitos e virtudes, pode impulsionar esta parte de Trás-os-Montes: falo do Casino de Chaves, sobre o qual um dias destes falarei, pois outros pontos de vista sobre o mesmo se poderão contrapor. Um deles será o de saber se é um factor de mero desenvolvimento económico – puro e duro, por assim dizer – ou se entrará na equação de um desenvolvimento mais equilibrado, sem que no tecido social de uma inteira região se criem consideráveis assimetrias. Resumindo, dou o meu cravo ao projecto da Eurocidade, mas não a qualquer preço. Mas, como perceberam, também deixo aqui a minha ferradura, à qual junto alguns coices contra o esquecimento. Assim sendo, em que pé está o projecto da Eurocidade? De que forma os cidadãos de Chaves e Verín podem ser participantes activos na sua realização? E, já agora, como poderá beneficiar a região com a criação deste plano? É que, mesmo que nenhum de nós tenha pedido uma Eurocidade, é bom saber com o que contar antes do desenrolar efectivo do seu processo. Ah, e convém não esquecer que de certeza não irão existir Ferraris ou Porsches nas garagens de todos. Por:
Bruno Cunha |
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